quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

A GUERRA FRIA - CONSOLIDAÇÃO DE UM MUNDO BIPOLAR (PARTE 2)


Na Ásia

Ao longo dos anos 50 a Coreia foi o território onde surgiu um estado comunista apoiado pelos soviéticos, a norte do paralelo 38. Em 1950 a Coreia do Norte decidiu invadir a Coreia do Sul, apoiada pelos E.U.A., para reunificar o território e impor o socialismo a todo o território da Península. 
Na China a tomada do poder pelos comunistas liderados por Mao Tsé Tung em 1949, foi acompanhada meses mais tarde pela assinatura de acordos diversos com o governo de Estaline. No entanto o percurso político da China levou a um afastamento posterior da órbita soviética a partir de final dos anos 50. 

América Latina e África

Ao longo dos anos 50 e 60 a influência soviética estendeu-se aos diversos continentes. O exemplo mais duradouro dessa expansão para fora da Ásia foi Cuba. No poder desde 1940, o ditador Fulgêncio Batista governava de forma autoritária defendendo os interesses americanos na ilha, tradicional exportadora de açúcar e tabaco para os E.U.A., principal comprador das suas exportações e zona de investimentos turísticos e de jogo dos empresários americanos. Em 1959 Fidel Castro tomou o poder apoiado num grupo de revolucionários dos quais fazia parte também Ernesto Che Guevara e instalou um governo de cariz socialista que ganhou o apoio soviético. 
Os esforços americanos de reimplantação de um governo favorável aos seus interesses esbarrou sistematicamente com a oposição dos exércitos cubanos, tendo o episódio mais crítico ficado conhecido como o desastre da Baía dos Porcos em 1961. 
Em 1962 porém um outro conflito surgiu nos mares das Caraíbas quando os E.U.A. detetaram em fotografias aéreas o transporte em navios de carga daquilo que poderiam ser mísseis soviéticos para instalação no território cubano. Tal facto foi interpretado como ameaça ao poder e segurança do estado americano tendo sido exigida pelo presidente Kennedy a retirada dos mísseis. O receio de uma guerra nuclear entre os E.U.A. e a U.R.S.S. surgiu de novo mas os dois países chegaram a acordo e os mísseis acabaram por ser retirados. No entanto desde então Cuba ficou sujeita a um bloqueio e embargo comercial por parte dos E.U.A. e de vários países ocidentais. 
Ao longo dos anos 70 e 80 Cuba desempenhou um papel ativo no apoio aos países latino-americanos na sua luta contra os interesses dos E.U.A. tendo para isso contado frequentemente com a ajuda e apoio soviético. Na órbita soviética Cuba apoiou também várias lutas pela independência nomeadamente nos países africanos e as guerrilhas marxistas em países da América Central e do Sul  como a Guatemala, El Salvador e Nicarágua. 


Opções e realizações da economia de direção central

A reconstrução dos países socialistas da Cortina de Ferro foi rápida no pós-guerra. Na U.R.S.S. o sistema de planificação económica foi retomado com novos planos quinquenais incidindo sobre a indústria pesada e as infraestruturas; siderurgias, centrais hidroelétricas surgem por toda a Rússia. Sistema semelhante é implantado nos países socialistas da Europa Oriental com a coletivização económica e uma industrialização acelerada que transformou as estruturas ancestrais de alguns destes países como a Hungria e a Roménia. 
A evolução económica embora acompanhada de uma evolução educativa e cultural assinalável não teve efeitos sociais de relevo para as populações que continuaram a ter um nível médio de vida muito baixo. Os salários subiam lentamente, os horários de trabalho eram excessivos e faltavam bens de todo o tipo. 

Bloqueios económicos nos países socialistas

Apesar dos progressos ao nível das estruturas produtivas, os países socialistas enfrentaram porém dificuldades ao fim de alguns anos de permanência do regime. A gestão económica altamente centralizada e burocratizada não permitiu os necessários progressos em inovação, factor que a médio prazo acabou por provocar um atraso tecnológico e científico que só a espionagem industrial conseguiu ultrapassar com relativo sucesso. 
Na agricultura a produtividade estagnou devido à gestão centralizada e pouco empenhada das organizações coletivistas  e da falta de investimento. Devido a estes fatores houve necessidade de renovação no sistema com o impulso dado por Nikita Krutschev. Este, procurou relançar a economia dos países da Cortina de Ferro com uma renovação das preocupações produtivas dando maior importância às indústrias de bens de consumo: habitação, bens de consumo duradouros e agricultura são renovadas. 
Também a idade da reforma e o horário de trabalho passaram a aproximar-se dos países da Europa Ocidental sem que no entanto o nível de vida das populações tenha melhorado substancialmente. Os métodos de organização da produção nas empresas evoluem com a institucionalização de prémios de produção e a maior autonomia da gestão. 
Os efeitos das medidas tardam a aparecer. A subida ao poder de Leonidas Brejnev nos anos 60 levou ao reforço do centralismo burocratizante do regime e a uma onda de corrupção no aparelho de Estado soviético onde se reforçou o papel de uma elite governante do partido, a chamada Nomenklatura. A partir de finais dos anos 70 a União Soviética estagnou ao nível do poderio industrial. A exploração de jazidas na Sibéria e a deslocação de populações para essas regiões revelou-se ruinosa. Também o envolvimento da União Soviética na guerra do Afeganistão para apoiar o governo comunista contra os rebeldes talibans - o Vietname soviético - revelou-se um desastre político que, acrescendo à onda de contestação aos governos pró-soviéticos dos países da Europa Oriental, começou a avolumar-se de forma perigosa, acelerou o colapso dos regimes comunistas no final da década de 80.  

A escalada armamentista e o início da era espacial

A explosão da primeira bomba atómica russa deu origem a uma corrida aos armamentos e a uma evolução tecnológica acelerada no domínio das armas convencionais. Os perigos da arma atómica e a perceção de que a sua utilização poderia levar as superpotências a situações extremas levou ambos os países a apostarem na dissuasão e no desenvolvimento de armas convencionais suficientemente poderosas para afastarem a hipótese de utilização das armas atómicas. Os orçamentos da defesa das duas superpotências cresceram por isso bastante a partir dos anos 50 tal como os das principais potências europeias e da China que entretanto também entrou no "clube das armas nucleares". 

Reflexo da evolução tecnológica foi a corrida ao espaço. Entre a União Soviética e os E.U.A. desenvolveu-se a partir de final dos anos 50 uma assinalável investigação no domínio aeroespacial com o lançamento de satélites e cápsulas espaciais tripuladas levando ao mesmo tempo a grandes avanços na construção dos foguetes, foguetões e combustíveis especiais com reflexos na evolução das técnicas de construção de aeronaves cada vez mais rápidas e voando a maiores altitudes. 

A U.R.S.S. tomou a dianteira no domínio espacial com o lançamento do primeiro satélite espacial Sputnik I em 1957 e do Sputnik 2 tripulado pela cadela Laika. Também o primeiro homem e a primeira mulher no espaço foram lançados pela União Soviética em 1961 e 1963. No entanto foram os E.U.A. os primeiros a enviar homens à Lua em Julho de 1969, a Apolo 11 depois do impulso dado pelo presidente Kennedy ao programa espacial sob controlo da Nasa. Essa expedição foi seguida de outras até 1972, tendo chegado mesmo a colocar em solo lunar uma viatura de exploração

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