domingo, 2 de fevereiro de 2020

OS ANOS 60 E O INÍCIO DE UMA NOVA MENTALIDADE - OS MOVIMENTOS DE CONTESTAÇÃO JUVENIL


Ao longo da década de 60, a canção converteu-se num instrumento de crítica social e política, denunciando a pobreza, o racismo, a destruição da natureza, as armas nucleares e a guerra.

Assim, o rock assumiu-se como um dos pilares da contestação juvenil. 
O número de jovens no mundo ocidental era considerável, devido ao baby-boom do pós-guerra, e estes buscavam um estilo de vida diferente do das gerações anteriores, acomodadas aos padrões da vida burguesa, dando início a um poderoso movimento de contestação.
Este movimento teve origem em universidades europeias e americanas, onde o sistema de ensino e as regras de funcionamento, considerados antiquados, eram postos em causa pelos estudantes.
Nos EUA, as universidades de Berkeley (São Francisco) e Columbia (Nova Iorque) foram ocupadas em 1964, pelos estudantes que exigiam mudanças radicais.

Para além das suas reivindicações específicas, os estudantes americanos mostravam-se atentos aos grandes problemas da sociedade em que viviam: envolviam-se ativamente na luta pelos direitos cívicos dos negros,


a emancipação da mulher,

e o movimento pacifista que surgiu contra a participação dos EUA na guerra do Vietname, cujas manifestações mobilizavam multidões, em particular estudantes, na América ou noutras cidades europeias.




Em 1968, Paris tornou-se no centro de uma revolta estudantil que atingiu a Europa. Conhecida pelo nome de "Maio de 68"  atingiu a Sorbonne e o Quartier Latin tornou-se num campo de batalha entre estudantes e polícia. Dinamizados por uma minoria politizada, que tinha como referenciais as figuras revolucionárias de esquerda, os estudantes denunciavam a falta de condições das universidades, com poucos professores e falta de instalações. Ao mesmo tempo, clamavam contra a guerra do Vietname, o imperialismo americano e o totalitarismo soviético.


Esta crise, que começou por ser um problema estudantil, rapidamente se tornou numa sublevação social e política, com greves e ocupações de fábricas.
O Maio de 68 tornou-se num símbolo dum combate para o qual contribuíram o conflito de gerações, o descontentamento social e a reação ao autoritarismo. Por isso, as suas repercussões passaram para lá da cortina de ferro e fizeram-se sentir na cidade de Praga que nesse ano se revoltou contra a invasão soviética.
Outra faceta da contestação juvenil fez-se sentir na revolução dos costumes desencadeada pelo movimento hippie (com epicentro na Califórnia, com destaque para a cidade de São Francisco em 1967).




Os jovens levavam uma vida alternativa em comunas. eram adeptos da liberdade sexual, do amor livre e amantes da paz (make love not war). Os hippies evidenciavam um total despojamento e despreocupação, visíveis no vestuário leve, colorido e florido, nos cabelos soltos e compridos, muitas vezes descalços, no consumo de drogas alucinogénias.


Grandes confraternizações e festivais de música ao ar livre reuniam essas multidões de jovens, como o conhecido festival de Woodstock (1969).
Estas multidões de jovens, assumiam-se, assim, como protagonistas de uma contracultura (através de um estilo de vida que denuncia os valores materialistas da sociedade, contrapondo a ausência de regras sociais e morais, o espiritualismo, o pacifismo, o regresso à Natureza.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E CULTURAIS DO TERCEIRO QUARTEL DO SÉCULO XX

No segundo pós-guerra, Nova Iorque substitui Paris como capital das artes (doc. 1, p.150 e doc. 2, p. 151). É lá que surgem novas formas de expressão que versam o absurdo da existência e ironizam sobre os ritos sociais. As novas correntes mostram-se herdeiras do legado vanguardista da primeira metade do século (em particular do abstracionismo, do dadaísmo e do surrealismo) e da reflexão sobre a condição humana incrementada pelo existencialismo (p.156, doc. 12), de que são exemplos Jean-Paul SartreSimone de Beauvoire e Albert Camus.

Jackson Pollock exemplo do expressionismo abstrato (1945-60)
A partir de 1958 surge uma outra corrente, a pop art - significando literalmente arte popular - pretendendo exprimir uma aproximação à cultura e aos meios de comunicação de massas. Integrava objetos e temas da sociedade de consumo no mundo da arte. O grande representante americano da pop art foi Andy Warhol (doc. 6, p. 154).
Algumas vanguardas dos anos 60 e 70 levaram até às últimas consequências a desmaterialização da arte (muito inspirada no absurdo dadaísta). É a chamada arte conceptual (docs. 9, 10, 11, p. 155) que se caracteriza por secundarizar a obra de arte enquanto objeto físico, privilegiando o conceito ou ideia que lhe está subjacente.
Entretanto, a América é também o berço de muitos dos grandes progressos científicos e tecnológicos que revolucionam a produção, as comunicações, a sociedade e a vida humana - a robótica, o computador e o pc,  a energia nuclear, o laser,  os aviões supersónicos, o circuito integrado, a tac, a fertilização in vitro, a estrutura do ADN, os transplantes de órgãos ... (pp. 158 a 161).
Dos EUA irradiam os padrões culturais e os hábitos consumistas. 



O cinema, a televisão, disseminada nos anos 50, e o rock and roll difundem a imagem de um mundo próspero, despreocupado e feliz.



Até 1962, as estrelas americanas brilharam no rock and roll mas a situação mudou com o aparecimento dos Beatles.
A evolução qualitativa levada a cabo por este grupo e o impacto das suas canções entre os jovens dos mais variados estratos sociais e países, fez com que a música pop passasse a integrar o universo da arte, deixando para trás o estigma de produto de "baixa cultura". 
Os Rolling Stones foram outro êxito da música britânica mas, no entanto, criaram uma imagem de "perigosos degenerados", que os demarcou dos Beatles, mas que se coadunava com o espírito irreverente do rock.
No entanto, há quem resista à padronização da cultura americana, o que é bem visível na produção cinematográfica que vai surgindo na Europa e na Ásia como alternativa à produção de Hollywood.
Por exemplo, o cinema indiano, a partir da década de 50 ou o cinema japonês de que tomamos como exemplo um excerto dos Sete Samurais (1954) do mestre Akira Kurosawa:


Em Itália faz escola a corrente do neorrealismo de que são exemplo Vittorio de Sica com Ladrões de Bicicletas (1948):


ou Roberto Rosselini com Roma, Cidade Aberta (1945)


Em França surge o movimento da Nouvelle Vague, com cineastas como François Truffaut, Claude Chabrol ou Jean-Luc Godard.


O realizador sueco Ingmar Bergman surge com a exploração de temas intimistas, grande preocupação estética e forte componente teatral:



No mundo ocidental, os jovens, as mulheres, os ecologistas, as minorias étnicas são os responsáveis pela organização de movimentos de contestação que abalam os alicerces da sociedade capitalista.